Saúde no Brasil para estrangeiros: SUS, planos e seguro
8 min de leitura
Nesta página
O sistema público de saúde do Brasil, o SUS, está aberto a estrangeiros. A Lei de Migração, de 24 de maio de 2017, garante aos migrantes o acesso aos serviços públicos de saúde, independentemente de nacionalidade ou condição migratória. Ligue 192 para uma ambulância pública, que é gratuita. Hospitais privados esperam pagamento antecipado ou comprovação de seguro, então uma estadia longa precisa de cobertura do seu país ou de um plano de saúde brasileiro.
Esta página foi pensada para cidadãos dos EUA e do Reino Unido. As regras do SUS valem para todas as nacionalidades.
O sistema público (SUS)
O SUS é o sistema público e gratuito que atende qualquer pessoa no território brasileiro. A Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, define as suas regras. O artigo 2º diz que a saúde é um direito fundamental do ser humano e que o Estado deve prover as condições para exercê-lo. O artigo 7º lista o acesso universal em todos os níveis de assistência e a igualdade da assistência “sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie”.
A Lei de Migração (Lei 13.445/2017) aplica isso aos estrangeiros. O artigo 4º, inciso VIII, garante aos migrantes o acesso a serviços públicos de saúde “sem discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória”. Quem está de passagem, como turista, recebe atendimento de emergência em hospitais públicos. Para consultas de rotina e tratamentos longos, o caminho é mais simples para quem mora no país e tem endereço fixo.
O SUS tem limites que você deve conhecer:
- Os hospitais públicos das grandes cidades costumam ficar lotados, com longa espera por leito e, às vezes, falta de medicamentos e insumos.
- A equipe pode falar pouco inglês ou nenhum. Tenha um tradutor no celular ou leve alguém que fale português.
- O SUS não paga evacuação médica nem repatriação.
Para atendimento urgente sem ambulância, procure uma UPA 24h (Unidade de Pronto Atendimento). As UPAs funcionam 24 horas por dia, todos os dias, estabilizam os casos urgentes e encaminham para hospitais os pacientes que precisam de internação.
Para atendimento não urgente, a porta de entrada do SUS é a atenção primária. O posto de saúde do bairro se chama UBS (Unidade Básica de Saúde). Cada UBS atende uma área definida, então pergunte à secretaria municipal de saúde ou aos vizinhos qual posto cobre o seu endereço.
O cartão do SUS e o seu CPF
Desde 16 de setembro de 2025, o Ministério da Saúde emite o cartão do SUS com o CPF do titular no lugar do antigo número do cartão. O CPF é o número de contribuinte individual do Brasil.
Quem não tem CPF mantém o acesso. O ministério garantiu que pessoas sem CPF continuam sendo atendidas. Estrangeiros, indígenas e comunidades ribeirinhas que não usam CPF continuam identificados no Cadastro Nacional de Saúde. Quem é atendido sem CPF, por exemplo em uma emergência, recebe um registro temporário válido por um ano. Após a alta ou a regularização, o ministério pede a inclusão do CPF.
Numa estadia longa, o CPF facilita todos os sistemas, do prontuário a uma conta bancária. Veja como tirar o CPF sendo estrangeiro.
Confirme antes de ir: para fazer o cartão do SUS como residente, estrangeiros costumam apresentar o CRNM (ou o antigo RNE), o CPF e um comprovante de residência. Leve também o passaporte. A exigência varia por município, então pergunte na UBS do seu bairro ou à secretaria municipal de saúde antes de ir.
Hospitais privados e pagamento antecipado
O atendimento privado funciona com pagamento primeiro. Espere o seguinte:
- Hospitais e médicos exigem pagamento antes do atendimento ou da internação.
- Nas clínicas e consultórios, você paga na hora da consulta.
- Cartões de crédito nem sempre são aceitos em hospitais privados. Tenha um segundo meio de pagamento.
- Os pacientes pagam todos os custos de transferência para um hospital ou entre hospitais.
- O Medicare e o Medicaid dos EUA não cobrem contas no exterior, e a maioria dos planos americanos também não.
- A maioria dos hospitais e médicos no Brasil não aceita seguro-saúde americano ou britânico diretamente.
Hospitais privados podem recusar a internação se você não mostrar recursos ou um seguro que garanta o pagamento. Se for encaminhado a um hospital, avise logo a sua seguradora. Ela pode emitir uma carta de garantia e evitar que você pague tudo do próprio bolso.
Contrate um seguro que cubra evacuação médica. Um voo médico de volta para os EUA ou para o Reino Unido pode custar mais do que a maioria das pessoas consegue pagar.
Números de emergência
Salve estes três números antes de chegar.
| Número | Serviço | Observação |
|---|---|---|
| 192 | Ambulância (SAMU) | Gratuita; pode demorar fora das capitais e das grandes cidades |
| 193 | Bombeiros | Costumam chegar mais rápido em acidentes de estrada; atendimento em português |
| 190 | Polícia | Para crimes e situações de risco |
Viajantes feridos ou muito doentes às vezes preferem ir de táxi ou de carro até o hospital grande mais próximo. Fora das grandes cidades, localize o hospital mais próximo no mapa antes de precisar.
Três formas de cobrir uma estadia longa
Uma estadia longa pode ser coberta pelo SUS, por um seguro do seu país ou por um plano brasileiro. Muita gente combina duas delas.
| Opção | O que é | O que conferir |
|---|---|---|
| Só o SUS | Atendimento público, gratuito pela Lei 8.080 e aberto a migrantes | Espera e falta de insumos nos hospitais públicos das grandes cidades; sem evacuação |
| Seguro do seu país | Apólice de viagem ou de saúde internacional | Se cita o Brasil, cobre todas as suas datas e inclui evacuação médica |
| Plano privado brasileiro | Um “plano de saúde” vendido sob a Lei 9.656/1998 | Carências, hospitais da rede na sua cidade, se você pode contratar um |
O visto de nômade digital exige seguro-saúde válido no Brasil durante a estadia. Veja o visto de nômade digital do Brasil para essa regra, e o seguro-viagem para o Brasil para saber o que uma apólice deve cobrir.
Planos de saúde privados brasileiros
Os planos privados são comuns entre a classe média brasileira. A ANS, a agência reguladora nacional dos planos de saúde, contou 53.055.406 pessoas em planos médicos em junho de 2026.
A Lei 9.656, de 3 de junho de 1998, define as principais regras para o consumidor. O artigo 12, inciso V, limita os prazos de carência:
| Tipo de atendimento | Carência máxima |
|---|---|
| Urgência e emergência | 24 horas |
| Parto a termo | 300 dias |
| Demais casos | 180 dias |
Outras duas regras importam para quem acaba de chegar:
- Doenças preexistentes. O artigo 11 proíbe os planos de excluir uma condição preexistente depois de 24 meses de contrato. O plano precisa provar que você sabia da condição quando assinou.
- Cancelamento. Em plano individual, a operadora não pode suspender nem cancelar, exceto por fraude ou por falta de pagamento por mais de 60 dias, consecutivos ou não, nos últimos 12 meses de contrato. Você deve ser notificado até o 50º dia de inadimplência. Não é permitido cancelar enquanto o titular estiver internado (artigo 13).
Planos individuais ficaram mais difíceis de achar, e muitas operadoras vendem principalmente planos coletivos por adesão ou empresariais. Se você tem empresa no Brasil ou é contratado por uma, o plano empresarial costuma ser a porta mais fácil.
Confirme antes de ir: as operadoras pedem CPF para contratar, e algumas também pedem o CRNM. Tire o CPF primeiro. Depois peça a duas ou três operadoras, por escrito, o preço para a sua idade, a lista de hospitais da rede na sua cidade e os documentos exigidos para estrangeiros.
O preço depende muito da idade, da cidade e da rede de hospitais. Compare sempre o mesmo tipo de plano: com ou sem coparticipação, enfermaria ou apartamento, regional ou nacional.
Remédios e farmácias
As farmácias brasileiras são muitas e ficam abertas até tarde nas cidades, várias delas 24 horas. Siga estas regras:
- Leve remédios controlados na embalagem original, com a receita do seu médico.
- Espere encontrar os remédios comuns de venda livre dos EUA e do Reino Unido com outros nomes comerciais. Anote o princípio ativo de cada um.
- Compre só em farmácias conhecidas, porque remédios falsificados circulam no país.
- Revise as regras brasileiras sobre substâncias controladas antes de viajar.
- Leve remédio suficiente para toda a viagem, porque alguns podem não estar disponíveis no local.
Muitos remédios que exigem receita no seu país são vendidos no balcão no Brasil, e o farmacêutico costuma orientar casos simples. Para antibióticos e remédios controlados, a receita é obrigatória e fica retida na farmácia.
Saúde mental e atendimento em inglês
Os serviços psicológicos e psiquiátricos são limitados, mesmo nas cidades maiores, e poucos profissionais atendem em inglês. Atendimento por vídeo com um profissional do seu país costuma ser a opção mais prática. Algumas clínicas “boutique” de cirurgia eletiva não são hospitais e não conseguem atender emergências.
Para achar um médico que fale inglês, use a lista de prestadores médicos no Brasil publicada pelo governo britânico no GOV.UK, ou a lista de médicos da embaixada dos EUA. Deixe também no celular a central de atendimento da sua seguradora.
Vacinas e mosquitos
Dúvidas sobre febre amarela e dengue são assunto para uma clínica de saúde do viajante. Leia vacinas e saúde no Brasil e marque uma consulta bem antes de embarcar.
Na prática, use repelente, especialmente no verão e na época de chuvas, quando a dengue aumenta. Roupas de manga longa ao entardecer ajudam.
Antes de viajar
- Pergunte por escrito à sua seguradora se o seu plano cobre atendimento no Brasil.
- Contrate uma cobertura que cite o Brasil, abranja suas datas e inclua evacuação médica.
- Tire um CPF se pretende ficar por meses.
- Salve 192, 193 e 190 no celular.
- Leve os remédios na embalagem original, com cópia da receita.
- Se aderir a um plano brasileiro, anote a data em que cada carência termina.
Para dúvidas sobre o seu caso, consulte a seguradora, uma clínica de saúde do viajante ou o consulado brasileiro que atende você. Para o orçamento, leia custo de vida no Brasil e compare cidades em melhores cidades do Brasil para estadias longas.
Perguntas
- Estrangeiros podem usar o SUS no Brasil?
- Podem. A Lei de Migração (Lei 13.445/2017, art. 4) garante aos migrantes o acesso aos serviços públicos de saúde, sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória. Visitantes também recebem atendimento de emergência em hospitais públicos.
- Preciso de CPF para ser atendido pelo SUS?
- Não. Desde setembro de 2025 o cartão do SUS usa o CPF, mas o Ministério da Saúde mantém o atendimento a pessoas sem CPF, incluindo estrangeiros, que continuam identificadas no Cadastro Nacional de Saúde.
- Para que número ligo para pedir uma ambulância no Brasil?
- Ligue 192, o SAMU. A ambulância pública é gratuita, mas fora das capitais e das grandes cidades ela pode demorar ou não estar disponível.
- Um hospital privado no Brasil aceita meu seguro dos EUA ou do Reino Unido?
- Não conte com isso. A maioria dos hospitais privados não aceita seguro estrangeiro direto e exige pagamento na hora ou comprovação de recursos. Leve um seguro com central de atendimento 24 horas que garanta o pagamento ao hospital.
- Qual é a carência de um plano de saúde brasileiro?
- A Lei 9.656/1998 limita a carência a 24 horas para urgência e emergência, 180 dias para a maioria dos demais atendimentos e 300 dias para parto a termo.
Esta página foi útil?