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O Brasil não exige seguro viagem de turistas dos EUA nem do Reino Unido. Mesmo assim, você deve viajar com uma apólice. Hospitais particulares querem pagamento adiantado ou comprovação de seguro antes de atender, e o sistema público, embora aberto a estrangeiros em emergências, costuma estar superlotado. Contrate uma apólice que cubra tratamento médico e evacuação.
Esta página é para viajantes dos EUA e do Reino Unido e segue as orientações publicadas pelos dois governos. Ela lista o que conferir numa apólice. Não classifica nem recomenda seguradoras.
Regras de entrada para visitantes
O seguro viagem não está entre os requisitos de entrada para turistas no Brasil. As exigências de entrada de visitantes tratam de passaporte, visto e, em alguns casos, da vacina contra febre amarela.
O pedido de visto de turista pelo portal oficial do e-Visa pede, para adultos, uma foto recente e uma cópia colorida da página de dados do passaporte. Seguro não faz parte da lista. As repartições consulares podem pedir outros documentos caso a caso, então leia a lista do seu pedido com atenção.
Vistos de residência são diferentes. O visto de nômade digital tem regra própria de seguro-saúde; veja a página do visto de nômade digital no Brasil antes de contratar.
Por que a cobertura importa no Brasil
O Brasil tem um sistema público, o SUS, criado por uma lei de 1990 que define a saúde como “um direito fundamental do ser humano” (Lei 8.080, art. 2º). A mesma lei estabelece o acesso universal e a igualdade da assistência (art. 7º). Na prática, o visitante enfrenta filas, falta de leitos e barreira de idioma, e o seguro abre a porta da rede particular.
O quadro geral do atendimento no Brasil, segundo os governos dos EUA e do Reino Unido:
| Ponto | O que esperar |
|---|---|
| Hospitais públicos | Atendimento de emergência garantido a estrangeiros e coberto pelo SUS; costumam estar superlotados, com longas esperas por leito e falta de medicamentos e insumos |
| Hospitais particulares | Exigem pagamento no momento do atendimento, ou comprovação de dinheiro suficiente ou de seguro, antes de aceitar você |
| Pagamento | Hospitais e médicos costumam querer o pagamento adiantado; avise a seguradora assim que for encaminhado a uma unidade |
| Ambulâncias | Inexistentes ou pouco confiáveis fora das capitais e de outras cidades grandes; ligue 192 para o SAMU |
| Evacuação | Um seguro com evacuação médica é fortemente recomendado |
A equipe médica pode falar pouco ou nenhum inglês. Tenha à mão, em português, uma lista das suas condições de saúde, alergias e remédios de uso contínuo.
Nas capitais, a rede particular é ampla e moderna. No interior, na Amazônia e em ilhas, o hospital mais próximo pode estar a horas de distância, e é aí que a cobertura de evacuação faz diferença.
Viajantes dos EUA: a sua cobertura no país de origem
O Medicare e o Medicaid não cobrem despesas nem contas no exterior. A maioria dos hospitais e médicos fora dos EUA não aceita plano de saúde americano, e o governo dos EUA não paga contas médicas de cidadãos no exterior.
Ligue para o seu plano de saúde antes de viajar. Pergunte se ele paga atendimento no Brasil, se paga direto ao hospital ou reembolsa você depois, e se cobre evacuação. Peça as respostas por escrito. Se a resposta for não ou só reembolso, uma apólice de viagem com pagamento direto resolve o problema do adiantamento.
Viajantes do Reino Unido: a sua cobertura no país de origem
O GHIC e o EHIC dão acesso à saúde pública na UE, na Suíça e em alguns outros países. Eles não substituem o seguro viagem, porque não cobrem saúde privada, repatriação nem resgate em montanha.
O Brasil não tem acordo de saúde recíproco com o Reino Unido. Para o Brasil, conte com o seguro viagem, não com o GHIC.
O que conferir numa apólice
Confira cada ponto no texto completo da apólice, não só no resumo de venda. A lista segue a orientação do governo britânico sobre seguro viagem e serve para qualquer nacionalidade.
1. Tratamento médico. Confira a cobertura de tratamento hospitalar e de transporte de emergência, como ambulância. Veja o limite de despesas médicas e a franquia que você paga por sinistro.
2. Evacuação e repatriação. Confira três itens: evacuação médica, volta para casa depois do tratamento e repatriação em caso de morte no exterior. Fora das capitais e de outras cidades grandes, as ambulâncias são pouco confiáveis, e a remoção aérea pode ser a única saída rápida.
3. Como a seguradora paga. Hospitais particulares no Brasil querem dinheiro ou comprovação de cobertura antes. Confira se a seguradora paga direto ao hospital ou reembolsa você depois. Confira se a central de assistência de emergência atende 24 horas por dia e se tem atendimento em inglês.
4. Doenças preexistentes. Declare condições de saúde física e mental já existentes, inclusive as que estão em investigação. Deixar de declarar algo pode invalidar o seguro.
5. Atividades. As apólices padrão costumam excluir atividades como jet ski e paraquedismo, e costumam não cobrir quadriciclos nem ciclomotores. Liste o que você pretende fazer: passeios de barco, trilhas longas, mergulho, mototáxi, passeio de buggy nas dunas. Confira se cada um aparece na apólice.
6. Álcool e drogas. A maioria das apólices não cobre ocorrências depois de consumo excessivo de álcool ou uso de drogas recreativas.
7. Para onde você vai. O seguro pode ser invalidado se você viajar para onde o FCDO desaconselha qualquer viagem que não seja essencial. No Brasil, o FCDO dá essa orientação para várias rotas fluviais no estado do Amazonas. A página é seguro viajar pelo Brasil? lista essas rotas. Confira também a apólice antes de qualquer passeio em favela.
8. Tratamento planejado. As apólices padrão muitas vezes não cobrem tratamentos planejados no exterior. O Brasil tem muitas clínicas de cirurgia eletiva e estética, e a qualidade do atendimento varia muito. Cirurgia eletiva exige uma apólice especializada.
9. Duração da viagem. Confira a duração máxima de viagem que a apólice permite. Compare com os seus planos, principalmente numa estada longa ou numa viagem com várias entradas e saídas.
10. Roubo e sinistros. Confira o limite para celulares e dinheiro, e quais documentos um pedido de indenização por roubo exige, como um boletim de ocorrência. Se você for vítima de crime, ligue para a polícia no 190 e peça o boletim.
Numa emergência
Os números de emergência do Brasil são gratuitos e funcionam de qualquer telefone.
| Serviço | Número |
|---|---|
| Polícia | 190 |
| Ambulância (SAMU) | 192 |
| Bombeiros | 193 |
O 193 é o jeito mais rápido de conseguir ajuda em qualquer estrada do Brasil. O atendimento é só em português, então tenha uma frase pronta com o seu endereço. Fora das cidades grandes, às vezes chegar ao hospital de táxi é mais rápido que esperar a ambulância.
Ligue para a central de assistência da seguradora assim que puder, de preferência antes de dar entrada num hospital particular. Ela pode indicar a unidade conveniada e garantir o pagamento.
Dicas práticas
- Guarde o número da apólice e o telefone da central de assistência no celular e numa folha impressa.
- Leve uma cópia do passaporte junto com os dados do seguro.
- Peça recibo detalhado e relatório médico de qualquer atendimento. A seguradora vai pedir os dois.
- Se pagar algo do próprio bolso, use cartão de crédito. Fica o registro para o reembolso.
- Avise alguém de confiança sobre o seu roteiro, principalmente em trilhas e viagens de barco.
Antes de contratar
Leia primeiro as orientações sobre vacinas e doenças em vacinas e saúde no Brasil, porque as questões de saúde antes da viagem influenciam a escolha da apólice. Para o SUS e os planos privados numa estada mais longa, veja saúde no Brasil para estrangeiros.
Pule se
- Você já tem um cartão de crédito ou um plano que cobre tratamento e evacuação no Brasil por escrito. Confira os limites e pule a compra de uma apólice extra.
- Você vai morar no Brasil com visto de residência. Precisa de um plano de saúde local ou de uma apólice que cumpra as regras do visto, e a página de saúde para estrangeiros é o ponto de partida.
Perguntas
- É obrigatório ter seguro viagem para entrar no Brasil?
- Não para turistas dos EUA e do Reino Unido: o seguro não faz parte dos requisitos de entrada de visitantes. Vistos de residência, como o de nômade digital, têm regras próprias de seguro-saúde.
- Meu plano de saúde dos EUA ou o Medicare funcionam no Brasil?
- Em geral, não. O Medicare e o Medicaid não cobrem despesas no exterior, e a maioria dos hospitais e médicos fora dos EUA não aceita plano de saúde americano.
- Turista pode usar o sistema público de saúde do Brasil?
- Sim, estrangeiros têm direito a atendimento de emergência nos hospitais públicos do SUS. Eles costumam estar superlotados, com longas esperas e falta de medicamentos, por isso o seguro continua importante.
- Preciso de cobertura de evacuação médica para o Brasil?
- É fortemente recomendado. Fora das capitais, as ambulâncias são pouco confiáveis, e uma remoção para uma cidade grande ou para casa pode custar muito sem seguro.
- O seguro viagem cobre as rotas fluviais da Amazônia sobre as quais o FCDO alerta?
- Talvez não. O seguro pode perder a validade se você viajar para onde o FCDO desaconselha qualquer viagem que não seja essencial, e isso inclui várias rotas fluviais no estado do Amazonas.
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