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O Departamento de Estado dos EUA classifica o Brasil no Nível 2, “Exerça cuidado redobrado”, em alerta emitido em 31 de agosto de 2026, com algumas áreas no Nível 4. O governo do Reino Unido desaconselha viagens, exceto as essenciais, apenas em várias rotas fluviais do estado do Amazonas. O risco muda muito de estado para estado: em 2025, as mortes violentas foram de 7,6 por 100 mil habitantes em Santa Catarina a 42,5 no Amapá.
Milhões de estrangeiros visitam o Brasil todo ano sem nenhum problema. A maior parte dos incidentes com turistas envolve furto de celular, roubo na rua e golpes, não violência grave. Este guia mostra onde o risco se concentra e os hábitos que mais reduzem a chance de algo dar errado.
O que diz o alerta dos EUA
O nível geral é o Nível 2, “Exerça cuidado redobrado”, por causa de crime e sequestro. O alerta foi emitido em 31 de agosto de 2026.
Ele aponta três áreas para evitar:
- As fronteiras terrestres internacionais, por crime e sequestro
- As ocupações de moradia informal (favelas, vilas, comunidades ou conglomerados), por crime
- As cidades-satélite de Brasília, por crime
Trate as cidades-satélite de Brasília como áreas a evitar, sobretudo à noite. Funcionários do governo dos EUA precisam de autorização especial para ir a Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá entre 18h e 6h.
A regra de fronteira abrange uma faixa de 160 km a partir das fronteiras terrestres. Mesmo assim, funcionários dos EUA podem visitar o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque Nacional do Pantanal, dois dos destinos mais procurados nessa faixa.
O alerta também avisa sobre:
- Crimes violentos em áreas urbanas, de dia e de noite, incluindo roubo à mão armada e roubo de carro
- Bebidas adulteradas com sedativos, principalmente no Rio de Janeiro
- Criminosos que usam aplicativos de relacionamento ou bares para drogar e roubar estrangeiros
- Sequestro-relâmpago, em que as vítimas são forçadas a sacar dinheiro ou transferir valores pelo aplicativo do banco, em geral por Pix
- Roubo e agressão em ônibus municipais, que os funcionários dos EUA são orientados a não usar
O que diz a orientação do Reino Unido
O FCDO, o ministério das Relações Exteriores britânico, desaconselha viagens, exceto as essenciais, nestas rotas fluviais do estado do Amazonas:
- O rio Amazonas e seus afluentes a oeste de Codajás e a leste de Belém do Solimões
- Qualquer trecho do rio Itaquaí
- Qualquer trecho do rio Japurá e seus afluentes
- O Rio Negro e seus afluentes ao norte ou a oeste de Barcelos
Nessas áreas de fronteira, com pouca presença policial, atuam grupos armados, incluindo piratas e traficantes de drogas. Manaus e os passeios mais comuns a partir dela ficam fora dessas rotas.
No resto do país, o FCDO aponta roubos frequentes em muitas cidades, principalmente em ônibus. Ladrões miram celulares, sobretudo entre 16h e 21h. O FCDO também alerta para sequestro-relâmpago, adulteração de bebidas, clonagem de cartões e metanol em destilados.
O Brasil tem eleições gerais a cada quatro anos, em outubro, com eventual segundo turno no último domingo do mês, e a posse presidencial é em Brasília no início de janeiro. Evite comícios e protestos nesse período.
O que os números mostram
O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes. É o menor total desde 2012, quando a série começou. Os números foram publicados em julho de 2026.
A contagem abrange homicídios, feminicídios, roubos seguidos de morte, lesões corporais seguidas de morte e mortes causadas pela polícia. Ela mede o risco para moradores, concentrado em certos bairros e faixas etárias. Para o visitante, o risco mais comum é o roubo e o furto, não a violência letal.
Taxas estaduais selecionadas por 100 mil habitantes:
| Estado | 2024 | 2025 |
|---|---|---|
| Santa Catarina | 8,6 | 7,6 |
| São Paulo | 8,2 | 7,8 |
| Distrito Federal | 9,1 | 9,6 |
| Rio Grande do Sul | 15,2 | 11,3 |
| Minas Gerais | 15,1 | 12,9 |
| Amazonas | 27,4 | 18,5 |
| Rio de Janeiro | 22,1 | 22,6 |
| Mato Grosso | 29,8 | 22,9 |
| Pará | 29,5 | 28,4 |
| Pernambuco | 36,4 | 33,0 |
| Ceará | 37,5 | 34,7 |
| Bahia | 40,7 | 36,8 |
| Amapá | 45,2 | 42,5 |
As taxas das cidades podem ficar longe das do estado. A cidade de São Paulo registrou 7,2. Porto Seguro, destino de praia na Bahia, registrou 71,2, e Foz do Iguaçu, 28,9, bem acima dos 15,5 do Paraná. Dentro de uma mesma cidade, o risco também varia muito de bairro para bairro, e as áreas turísticas costumam ter mais policiamento.
Região por região
As taxas estaduais de 2025 vão de 7,6 por 100 mil no Sul a 42,5 na Amazônia. A tabela une esses dados ao risco principal para visitantes e a um hábito útil.
| Região | Mortes violentas por 100 mil (2025) | Risco principal | Um hábito |
|---|---|---|---|
| Nordeste | Bahia 36,8, Ceará 34,7, Pernambuco 33,0, Piauí 17,1 | Furtos em quartos de hotel e assaltos; ataques de tubarão no litoral do Recife | Pegue táxi ou carro de aplicativo depois do pôr do sol em vez de andar a pé |
| Cidades de entrada do Sudeste | Estado de São Paulo 7,8, estado do Rio de Janeiro 22,6 | Batedores de carteira em Copacabana, Ipanema, Lapa, Santa Teresa e na Avenida Paulista; roubo à mão armada na trilha do Corcovado | Mantenha o celular fora de vista na rua, principalmente das 16h às 21h |
| Centro-Oeste | Distrito Federal 9,6, Goiás 16,5, Mato Grosso 22,9, Mato Grosso do Sul 20,2 | Furtos no entorno da rodoviária central de Brasília; cidades-satélite | Evite a área da rodoviária a pé com objetos de valor e as cidades-satélite à noite |
| Sul | Santa Catarina 7,6, Rio Grande do Sul 11,3, Paraná 15,5 | Áreas de fronteira terrestre em torno de Foz do Iguaçu | Fique no parque nacional e no centro da cidade; evite passeios informais à fronteira |
| Amazônia | Amazonas 18,5, Pará 28,4, Amapá 42,5 | Crime fluvial a oeste de Codajás e no Japurá, no Itaquaí e no alto Rio Negro | Confira a rota do seu barco na lista de rios do FCDO antes de reservar |
No Recife, respeite as placas de proibição de banho nas praias com histórico de tubarão, como Boa Viagem e Piedade. Em trilhas urbanas do Rio, como a do Corcovado, vá em grupo ou com guia e nunca no fim da tarde.
Hábitos que reduzem o seu risco
Cinco hábitos coincidem com o que os dois governos aconselham e resolvem a maior parte dos problemas.
Mantenha o celular no bolso na rua. O roubo de celular é o crime mais comum contra visitantes nas grandes cidades. Entre em uma loja ou café para ver o mapa. Evite usar o telefone na calçada e na janela do carro ou do ônibus.
Peça as corridas pelo aplicativo. Não pare carros na rua. Táxis sem licença e falsos motoristas de aplicativo estão por trás de roubos e sequestros-relâmpago. Peça no aplicativo oficial, espere em um lugar seguro e confira se a placa e o motorista batem. Nos aeroportos, use os balcões de táxi autorizados. Veja do aeroporto à cidade.
Fique fora das praias da cidade depois de escurecer. Praias urbanas vazias à noite são lugar de assalto. De dia, cuidado com os “arrastões”, em que grupos correm pela areia levando os pertences. Leve à praia só o que você pode perder.
Compre suas próprias bebidas e mantenha-as na mão. Bebidas adulteradas com sedativos são um golpe conhecido. O metanol em destilados falsificados já matou pessoas no Brasil, então prefira marcas conhecidas em lugares de confiança.
Não reaja a um assalto. Entregue o que pedirem e não tente fugir nem discutir. Leve um cartão e o dinheiro de um dia, e deixe o passaporte no cofre do hotel, com uma cópia no celular.
Favelas e tours em favelas
Os governos dos EUA e do Reino Unido orientam ficar longe das favelas, inclusive em tours guiados. Os EUA dizem que nem as empresas de turismo nem a polícia conseguem garantir a sua segurança nessas áreas. O Reino Unido estende o alerta a hospedagens, restaurantes e bares dentro de favelas.
A posição da Off Route: se você escolher ir mesmo assim, vai contra os dois alertas. Escolha uma operadora tocada por moradores daquela comunidade, para o dinheiro ficar lá, e trate os moradores como anfitriões. Essa escolha não elimina o risco que os alertas descrevem. Confira antes os termos do seu seguro-viagem, porque muitos excluem áreas sob alerta.
Configure o GPS para evitar áreas de risco. Turistas já levaram tiros depois de entrar por acidente em favelas guiados pelo aplicativo de navegação.
Mulheres, pessoas LGBTQIA+ e viajantes negros
O Brasil tem leis fortes contra discriminação, e as capitais têm cenas LGBTQIA+ grandes e visíveis, como a de São Paulo. Fora das áreas turísticas, porém, assédio e preconceito acontecem. Viajantes negros podem enfrentar racismo, inclusive em abordagens policiais e no atendimento em lojas. Discriminação racial é crime no Brasil e pode ser denunciada à polícia.
Mulheres viajando sozinhas costumam relatar assédio verbal na rua. Os mesmos hábitos acima valem: transporte por aplicativo à noite, bebida sempre na mão e encontros de aplicativo em lugares públicos.
Se algo der errado
Ligue 190 para a polícia e 192 para ambulância. Para registrar furto ou roubo, faça o boletim de ocorrência. Muitos estados permitem fazer pela internet, e o seguro-viagem vai pedir esse documento.
A Embaixada dos EUA em Brasília atende emergências fora do horário pelo +55 61 3312-7400. Cidadãos britânicos podem procurar a embaixada ou o consulado britânico mais próximo.
Se o cartão for roubado, bloqueie pelo aplicativo do banco na hora. Para a segurança de cartões e dinheiro, leia dinheiro no Brasil e golpes contra turistas no Brasil. Pensando numa estadia mais longa? Comece por vistos e residência no Brasil: todas as rotas.
Confirme antes de ir: os alertas de viagem mudam. Leia as versões mais recentes do Departamento de Estado dos EUA e do FCDO do Reino Unido na semana da viagem.
Perguntas
- O Brasil é seguro para turistas?
- O Departamento de Estado dos EUA classifica o Brasil no Nível 2, Exerça cuidado redobrado, com algumas áreas no Nível 4. O Reino Unido desaconselha viagens, exceto as essenciais, apenas em algumas rotas fluviais do estado do Amazonas. O risco varia muito conforme o estado e a cidade.
- Que áreas do Brasil devo evitar?
- Evite as faixas de fronteira terrestre, as favelas e as cidades-satélite de Brasília à noite, que estão no nível mais alto do alerta dos EUA. O Reino Unido desaconselha viagens, exceto as essenciais, em várias rotas fluviais do oeste do estado do Amazonas.
- Que estados brasileiros têm as menores taxas de mortes violentas?
- Em 2025, Santa Catarina (7,6 por 100 mil) e São Paulo (7,8) tiveram as menores taxas do país. O Amapá (42,5) teve a maior.
- Devo fazer um tour em favela?
- Os governos dos EUA e do Reino Unido dizem para evitar as favelas, inclusive em tours guiados. Se for mesmo assim, você vai contra os dois alertas.
- A Uber é segura no Brasil?
- É a opção mais segura para se deslocar nas cidades, desde que você peça pelo aplicativo oficial. Não pare carros na rua e confira se a placa e o motorista batem antes de entrar.
- As praias brasileiras são seguras à noite?
- Não. Evite as praias urbanas depois de escurecer e deixe os objetos de valor no hotel, porque furtos e roubos em grupo são comuns na areia.
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