Turismo LGBTQ+ no Brasil: leis e dicas práticas

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  1. A lei em três decisões
  2. Lei e atitudes na prática
  3. Onde a recepção costuma ser melhor
  4. Dicas práticas
  5. Denunciar discriminação ou violência
  6. Ficar no Brasil com um parceiro
  7. Pule se

Casais do mesmo sexo podem se casar no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo em 5 de maio de 2011. A Resolução 175 do CNJ, de 14 de maio de 2013, impediu os cartórios de recusar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Desde 13 de junho de 2019, a homofobia e a transfobia se enquadram na lei do racismo.

Na prática, o Brasil tem algumas das cenas LGBTQ+ mais abertas da América Latina, com a Parada de São Paulo entre as maiores do mundo. Ao mesmo tempo, a violência contra pessoas LGBT+ continua sendo uma preocupação. Esta página cobre a lei, onde a recepção costuma ser melhor e como se proteger. Para a segurança geral nas ruas, leia se é seguro viajar pelo Brasil.

A lei em três decisões

Os direitos LGBTQ+ no Brasil vêm de decisões judiciais, não de leis aprovadas pelo Congresso. Três decisões definem as regras.

DataÓrgãoDecisãoO que mudou
5 de maio de 2011STFADI 4277 e ADPF 132Reconheceu as uniões estáveis entre casais do mesmo sexo como entidades familiares, com efeito vinculante
14 de maio de 2013CNJ (Conselho Nacional de Justiça)Resolução 175Os cartórios não podem recusar casamentos entre pessoas do mesmo sexo nem a conversão de união estável em casamento
13 de junho de 2019STFADO 26 e MI 4733A homofobia e a transfobia se enquadram na lei do racismo (Lei 7.716/1989) até que o Congresso legisle

2011: uniões entre pessoas do mesmo sexo

O STF terminou de julgar a ADI 4277 e a ADPF 132 em 5 de maio de 2011. Os ministros seguiram o relator, Ayres Britto, e decidiram com efeito vinculante. Excluíram qualquer leitura do artigo 1.723 do Código Civil que impedisse uma união entre pessoas do mesmo sexo de ser considerada família.

2013: casamento no cartório

A Resolução 175 do CNJ, de 14 de maio de 2013, vale para todos os cartórios do Brasil. O artigo 1 proíbe as autoridades competentes de recusar o pedido de casamento, a celebração ou a conversão de união estável em casamento. Pelo artigo 2, uma recusa deve ser comunicada imediatamente ao juiz corregedor.

O Brasil registrou 11.198 casamentos entre pessoas do mesmo sexo em 2023, de um total de 940.799 casamentos civis. É o maior número desde o início da série, em 2013. As mulheres foram 62,7% dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

2019: homofobia na lei do racismo

Em 13 de junho de 2019, o STF reconheceu que o Congresso havia se omitido em criminalizar a homofobia e a transfobia. Oito ministros votaram por aplicar a lei do racismo a essas condutas até que o Congresso aprove uma lei específica.

A decisão também diz:

  • Num homicídio doloso, o motivo homofóbico ou transfóbico conta como motivo torpe, uma qualificadora que eleva a faixa da pena.
  • A norma penal não restringe a liberdade religiosa, desde que as declarações não se tornem discurso de ódio.
  • O racismo não se limita a traços físicos. Inclui negar a dignidade de grupos vulneráveis.

Em agosto de 2023, o STF ampliou a decisão de 2019. Ao julgar embargos de declaração no MI 4733, entendeu que atos ofensivos contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser enquadrados como injúria racial. A sessão virtual terminou em 21 de agosto de 2023, com o ministro Edson Fachin como relator.

Lei e atitudes na prática

A situação legal é clara, mas a violência continua sendo um risco.

  • Não há restrições legais ao casamento entre pessoas do mesmo sexo nem a relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo. Casais LGBT+ têm os mesmos direitos perante a lei.
  • As atitudes públicas em relação a relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são variadas, mas cada vez mais receptivas.
  • Apesar das leis contra a discriminação por orientação sexual, a violência contra gays e lésbicas continua sendo uma preocupação importante.
  • Há relatos de discriminação, violência e assédio contra a comunidade LGBT+.

Onde a recepção costuma ser melhor

As capitais e os destinos de praia mais turísticos são, em geral, os lugares mais abertos. Cidades pequenas do interior e áreas rurais tendem a ser mais conservadoras.

  • São Paulo tem a maior cena LGBTQ+ do país, com bares e casas noturnas na região da Rua Augusta, da Rua Frei Caneca e do centro. A Parada na Avenida Paulista atrai multidões todo ano.
  • Rio de Janeiro tem a Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, e o trecho de praia em frente, um ponto de encontro conhecido. O Carnaval de rua do Rio é muito receptivo.
  • Florianópolis tem fama de destino LGBTQ+ amigável, com praias e vida noturna movimentada no verão.
  • Salvador e Recife têm cenas ativas nos bairros centrais e boêmios, e o Carnaval nas duas cidades atrai público LGBTQ+.

Mesmo nesses lugares, demonstrações de afeto em público podem chamar atenção fora das áreas mais frequentadas. Observe o ambiente e use o seu próprio julgamento, como faria em casa.

Dicas práticas

Pesquise cada parada. As atitudes podem variar muito entre cidades e áreas rurais. Alguns hotéis, sobretudo em áreas rurais, podem recusar reservas de casais do mesmo sexo. Confirme uma cama de casal por escrito antes de chegar a lugares fora de rota. Se houver recusa, isso é discriminação e pode ser denunciado.

Use aplicativos de encontro com cuidado. Criminosos podem usar aplicativos de encontro para escolher vítimas de roubo, agressão ou bebida adulterada, e estrangeiros já foram alvos. Faça uma chamada de vídeo antes de aceitar um encontro. Marque o primeiro encontro em lugar público e avise alguém de confiança. Compre e mantenha sob controle suas próprias bebidas. Leia golpes comuns no Brasil para ver a lista completa de armadilhas.

Saiba onde buscar ajuda consular. Embaixadas e consulados britânicos atendem sem fazer suposições nem julgamentos e levam as preocupações às autoridades locais. Cidadãos americanos podem procurar a embaixada ou o consulado dos EUA mais próximo.

Confira seu seguro. Apólices padrão muitas vezes não cobrem tratamentos que você planejou fazer no exterior. Veja o seguro-viagem para o Brasil.

Viajantes trans e não binários. O STF decidiu a ADI 4275 em 1º de março de 2018. Pessoas trans podem mudar nome e gênero no registro civil sem cirurgia e sem autorização judicial. Essa regra vale para documentos brasileiros.

Confirme antes de ir: se o seu passaporte tem marcador de gênero X ou se o seu documento não corresponde à sua aparência, consulte o consulado do Brasil que emite o seu visto ou a Polícia Federal sobre o controle de fronteira. Leve cópias de documentos que expliquem a mudança, se tiver.

Eventos do Orgulho. A 31ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo está marcada para a Avenida Paulista em 30 de maio de 2027, a partir das 10h. A edição de 2026 foi em 7 de junho, então a data muda a cada ano. Confira no site da organização perto da data. Hospedagem em São Paulo esgota cedo no fim de semana da Parada.

Denunciar discriminação ou violência

Discriminação contra pessoas LGBT+ é crime no Brasil e pode ser denunciada. Estes são os canais.

O que aconteceuA quem recorrerComo
Emergência ou crimePolíciaLigue 190
Violação de direitos humanos, incluindo discriminaçãoDisque 100 (linha federal de direitos humanos)Ligue 100 de qualquer telefone, 24 horas por dia, ou pelo WhatsApp (61) 99611-0100
Cidadão britânico em apurosEmbaixada ou consulado britânicoContate o mais próximo

O Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, é o canal federal para denunciar violações de direitos humanos. Ele também oferece um webchat em gov.br/webchat e atendimento em Libras (Língua Brasileira de Sinais). O atendimento é em português, então peça ajuda a alguém que fale a língua ou use o webchat com um tradutor.

Em um crime, peça o boletim de ocorrência na delegacia. Em várias capitais existem delegacias especializadas em crimes de intolerância; pergunte na delegacia mais próxima para onde o caso deve ir.

Ficar no Brasil com um parceiro

Se você pretende ficar com um parceiro brasileiro, leia residência por cônjuge, companheiro ou filho brasileiro. A Lei 13.445/2017, artigo 37, concede residência por reunião familiar a cônjuge ou companheiro “sem discriminação alguma”. Casais do mesmo sexo têm o mesmo direito.

Pule se

  • Você quer viajar sozinho por cidades pequenas do interior e não quer lidar com olhares ou comentários. Concentre a viagem nas capitais e nos destinos de praia mais conhecidos.
  • Você não quer seguir os cuidados com aplicativos de encontro. O risco de golpe é real.

Perguntas

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil?
Sim. Casais LGBT+ têm os mesmos direitos perante a lei. A base é uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011 sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo e a Resolução 175 do CNJ, de 14 de maio de 2013, que impediu os cartórios de recusar esses casamentos.
Homofobia é crime no Brasil?
Sim. Em 13 de junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a homofobia e a transfobia se enquadram na lei do racismo, a Lei 7.716/1989, até que o Congresso aprove uma lei específica.
O Brasil é seguro para viajantes LGBTQ+?
As grandes cidades têm cenas LGBTQ+ abertas e a lei protege você, mas a violência contra pessoas LGBT+ continua sendo uma preocupação real. Pesquise cada destino, tenha mais cuidado em áreas rurais e use aplicativos de encontro com atenção.
Aplicativos de encontro são seguros no Brasil?
Use com cuidado: criminosos usam aplicativos de encontro para escolher vítimas de roubo, agressão ou golpe do boa noite cinderela. Faça uma chamada de vídeo antes de se encontrar, marque em lugar público e compre e mantenha sob controle suas próprias bebidas.
Onde posso denunciar discriminação no Brasil?
Ligue 190 para a polícia em uma emergência. O Disque 100, a linha federal de denúncias de direitos humanos, atende 24 horas por dia, sete dias por semana, e também recebe mensagens de WhatsApp no (61) 99611-0100.

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