Natureza e fauna

Onde ver onças-pintadas, araras e ariranhas no Brasil

7 min de leitura

Páginas salvas
Nesta página
  1. Por que o Pantanal
  2. Onças-pintadas
  3. Araras
  4. Ariranhas
  5. Outros animais que você vai ver
  6. Como chegar
  7. Quando ir
  8. Onde ficar
  9. Custos
  10. Dicas práticas
  11. Pule se

O melhor lugar para ver onças-pintadas no Brasil é o Pantanal Norte, em Porto Jofre, no fim dos 147 km de terra da Transpantaneira a partir de Poconé. Na seca, a chance de avistamento ali é muito alta. Araras-azuis, araras-vermelhas e ariranhas vivem no mesmo bioma, e boa parte delas aparece na mesma viagem.

Por que o Pantanal

O Pantanal é a maior planície alagável do mundo e o lugar mais fácil do Brasil para ver grandes animais. A vegetação é aberta, a água concentra a fauna na seca e os rios funcionam como estradas para os barcos. Na Amazônia a floresta fecha a vista; no Pantanal você vê capivaras, jacarés e cervos-do-pantanal da beira da estrada.

O bioma se divide entre Mato Grosso, ao norte, e Mato Grosso do Sul, ao sul. O norte é o lugar das onças vistas de barco. O sul tem fazendas grandes, safáris em veículos e fica perto de Bonito. Para comparar os dois lados, veja o guia do Pantanal norte ou sul.

Onças-pintadas

A onça-pintada é o maior felino das Américas e está classificada como Quase Ameaçada pela UICN. O Brasil tem a maior população da espécie. O Pantanal abriga a segunda maior concentração do país, depois da Amazônia, com uma população estimada entre 4.000 e 6.000 animais.

Pantanal Norte, de barco. Em Porto Jofre, as onças se acostumaram à presença dos barcos ao longo de mais de uma década. O número de onças habituadas passou de 29 em 2013 para 130 em 2023, pela contagem do projeto local de identificação de onças. Os passeios sobem e descem o Rio Cuiabá e afluentes como o Três Irmãos e o Piquiri. As onças descansam nas margens, caçam jacarés e atravessam o rio a nado. Um dia típico tem duas saídas: uma de manhã cedo e outra à tarde, porque o meio do dia é quente e os animais param.

O sucesso trouxe problemas. Na alta temporada pode haver até 30 barcos na água, e vários se juntam no mesmo avistamento. Pesquisadores defendem grupos menores, menos compartilhamento de localizações por rádio aberto e regras claras de distância. Escolha um operador que respeite esses limites, mesmo que isso signifique ver a onça de mais longe.

Pantanal Sul, de veículo. A organização de conservação Onçafari opera ecoturismo na base Caiman Pantanal, uma área de 53.000 hectares em Miranda, Mato Grosso do Sul, ativa desde 2011. Ali as onças são vistas de veículos abertos, em terra particular, com limite de quatro veículos por avistamento. Em 2023, a base recebeu 2.596 hóspedes, metade deles estrangeiros, e todo hóspede que ficou pelo menos três dias viu pelo menos uma onça. Esse resultado vem de anos de habituação dos animais aos observadores.

Parque Estadual Encontro das Águas. Este parque estadual de Mato Grosso, perto de Porto Jofre, só se alcança por rio. A entrada é gratuita. Barcos, guias e hospedagem são serviços pagos, contratados com pousadas e operadores da região. Os meses mais procurados vão de julho a outubro, quando a seca aproxima as onças das margens.

Confirme antes de ir: as regras de número de barcos por avistamento e o licenciamento de barcos de passeio em Mato Grosso podem mudar. Pergunte ao seu operador como ele segue as normas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT).

Araras

Arara-azul-grande. A maior arara do mundo voltou à lista nacional de espécies ameaçadas em 2026, na categoria Vulnerável. O Pantanal concentra a maior parte da população selvagem. As aves fazem ninho em ocos de árvores grandes, sobretudo o manduvi, e circulam em pares ou pequenos bandos ao redor das sedes de fazenda. Muitas pousadas do Pantanal Sul e da Transpantaneira têm araras-azuis no próprio terreno, de manhã cedo e no fim da tarde.

O Instituto Arara Azul monitora a espécie há mais de três décadas. Ele organiza uma contagem simultânea anual, o Big Day das Araras-Azuis, no Brasil, na Bolívia e no Paraguai. Na primeira edição, em 2025, Mato Grosso do Sul liderou, com 409 aves registradas. Se o seu interesse é a arara-azul, pergunte à pousada se há ninhos ativos por perto e em quais meses.

Buraco das Araras. Esta dolina fica no município de Jardim, Mato Grosso do Sul, a uma curta distância de Bonito, e aparece na lista oficial de passeios de Bonito. Tem cerca de 100 m de profundidade e fica em uma reserva de 29 hectares. Abriga mais de 120 araras-vermelhas, que entram e saem das paredes de arenito vermelho. As visitas são só guiadas e é proibido descer na dolina. A trilha tem 970 m e leva cerca de 1 hora e 20 minutos. Os passeios costumam custar entre R$ 117 e R$ 385 (cerca de US$ 23 a US$ 76, conferido em out. 2026), conforme o horário e o pacote; confira o valor do dia com a agência em Bonito. Para combinar com outros passeios, veja Bonito.

Ariranhas

A ariranha é a maior lontra do mundo e vive em grupos familiares barulhentos. Em março de 2026, ela entrou na lista de espécies migratórias ameaçadas da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, em reunião em Campo Grande. A espécie perdeu cerca de 40% da área de ocorrência nas últimas décadas. O Brasil ainda abriga algumas das maiores populações remanescentes, na Amazônia e no Pantanal.

No Pantanal Norte, as ariranhas aparecem com frequência nos mesmos passeios de barco das onças. Os grupos pescam em rios e baías calmas, levantam a cabeça para vigiar o barco e vocalizam alto. Peça ao guia para incluir trechos onde os grupos costumam ficar e para manter distância das tocas na beira do rio.

O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé, na confluência dos rios Paraguai e Cuiabá, tem a ariranha entre suas espécies de destaque. O parque não tem estrutura turística, e a visita se limita a uma área pequena perto da sede, com autorização prévia do ICMBio. Para a maioria dos viajantes, os passeios a partir de Porto Jofre são o caminho prático.

Outros animais que você vai ver

Fora das três espécies principais, a lista é longa. Jacarés-do-pantanal se amontoam nas margens às centenas na seca. Capivaras pastam em grupos perto das estradas. O tuiuiú, ave símbolo do Pantanal, faz ninhos enormes no alto das árvores. Cervos-do-pantanal, tamanduás-bandeira, quatis, bugios e uma enorme variedade de garças, colhereiros e gaviões completam o quadro. Na região de Bonito, a flutuação em rios de água clara mostra piraputangas e dourados de perto.

Como chegar

  • Norte. Voe para Cuiabá, siga para Poconé e percorra os 147 km de estrada de terra até Porto Jofre, onde a estrada termina. A Transpantaneira cruza dezenas de pontes de madeira. Dali em diante, os barcos assumem.
  • Sul. Voe para Campo Grande. De carro, Aquidauana e Miranda ficam a cerca de 2 a 3 horas, e Corumbá a cerca de 6 horas. A maioria das pousadas busca o hóspede em Campo Grande ou em Miranda.

A forma mais simples é reservar um pacote que inclua o traslado desde o aeroporto. Carro próprio na Transpantaneira exige experiência em estrada de terra e cuidado com as pontes. Cuiabá e Campo Grande estão em UTC−4; veja fusos horários do Brasil.

Quando ir

A época depende do animal e da região. De maio a setembro é a seca, a melhor época para observar fauna. A água baixa concentra os animais e as estradas ficam transitáveis. Para onças em Porto Jofre, julho a outubro é o período mais forte. De outubro a abril vem a cheia: a paisagem fica verde e alagada, as aves se reproduzem e o acesso por terra fica mais difícil. Para o detalhe da cheia e dos incêndios recentes, veja melhor época para viajar pelo Brasil.

Onde ficar

No Pantanal, a hospedagem é parte do passeio. As pousadas e fazendas costumam vender pacotes com pensão completa, guia e atividades. Na Transpantaneira há pousadas espalhadas ao longo da estrada e um pequeno conjunto em Porto Jofre, perto dos barcos. No sul, as fazendas ficam entre Miranda, Aquidauana e a Estrada Parque, e a base Caiman do Onçafari funciona nesse modelo. Reserve com antecedência para julho a outubro.

Custos

Viagens de onça estão entre as mais caras do turismo de natureza no Brasil. O valor sobe com o número de noites, o barco privativo e a qualidade da pousada. Peça ao operador um orçamento por escrito que diga o que entra: traslado, refeições, número de saídas de barco e guia em inglês, se você precisar. No Onçafari, hospedagem e preços são passados por e-mail, mediante pedido.

Confirme antes de ir: taxas de parques, preços de barco e tarifas de traslado mudam a cada temporada. Compare dois ou três orçamentos na mesma data.

Dicas práticas

  • Leve binóculo, roupa de cores neutras, chapéu, protetor solar e repelente.
  • Uma lente longa (300 mm ou mais) faz diferença para fotografar onças de barco.
  • Fale baixo no barco e não peça ao piloto para se aproximar mais.
  • Nunca alimente animais, nem jacarés na beira da pousada.
  • Reserve dias extras: a cada saída a mais, a chance de um bom avistamento cresce.

Pule se

  • Você precisa de um avistamento garantido. É fauna silvestre, e mesmo os melhores dias têm horas sem nada.
  • Você tem pouco tempo. O Pantanal pede vários dias, como mostra o roteiro de 7 dias.
  • Você quer a Amazônia. Esta página cobre o Pantanal e a região de Bonito.
  • O orçamento é curto. Pacotes de onça com barco e pensão completa custam caro, e a alta temporada lota cedo.
  • Calor forte e mosquitos tiram seu humor. Mesmo na seca, as tardes são quentes.

Respeite os animais: mantenha distância, siga seu guia e não alimente a fauna.

Perguntas

Onde posso ver onças-pintadas no Brasil?
O lugar mais procurado é o Pantanal Norte, em torno de Porto Jofre, no fim dos 147 km da Transpantaneira, com saídas de barco pelo Rio Cuiabá e afluentes. No Pantanal Sul, o Onçafari faz observação de onças em veículos na base Caiman, perto de Miranda.
Qual a chance de avistar uma onça?
Na seca, a chance é alta em Porto Jofre, e quem fica pelo menos três dias costuma ver ao menos uma onça. Mesmo assim, é fauna silvestre: planeje vários dias e não trate nenhuma taxa de avistamento como garantia.
Dá para ver araras em Bonito?
Sim. O Buraco das Araras, uma dolina no município de Jardim, perto de Bonito, abriga mais de cem araras-vermelhas e só se visita com guia. A arara-azul-grande aparece com frequência nas fazendas do Pantanal.
Onde se veem ariranhas?
Nos rios do Pantanal, sobretudo nos passeios de barco que saem de Porto Jofre atrás de onças. Peça ao seu guia para incluir os trechos de rio onde os grupos de ariranhas costumam ficar.
Os avistamentos são garantidos?
Não. Animais silvestres não seguem horário. Mais dias no lugar e um guia experiente aumentam muito as chances.
Como escolher um operador responsável?
Prefira operadores ligados a pesquisa ou conservação, que limitem o número de barcos ou veículos por avistamento e mantenham distância dos animais. Desconfie de quem promete avistamento garantido.

Esta página foi útil?

Newsletter

The Detour

Um e-mail, dois segmentos. Escolha o que combina com seus planos e receba o download grátis ao se inscrever.

Seu segmento