Centro-Oeste e o Brasil selvagem

Guia do Pantanal: Pantanal norte ou sul

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  1. O que é o Pantanal e por que ir
  2. Como os dois lados se diferenciam
  3. Como chegar
  4. Quando ir
  5. Onde ficar
  6. O que fazer
  7. Custos
  8. Dicas práticas
  9. Pule se
  10. Próximos passos

O Pantanal é uma só planície alagável dividida entre dois estados. Mato Grosso do Sul tem cerca de 65% da área, e Mato Grosso tem o resto. A escolha prática é onde se hospedar: Cuiabá e Poconé para o norte e as onças vistas de barco, Campo Grande, Miranda ou Corumbá para o sul, as fazendas e a ligação com Bonito.

O que é o Pantanal e por que ir

O Pantanal é a maior planície alagável do mundo, uma bacia rasa onde os rios transbordam todo ano e depois recuam. Esse pulso de cheia e seca concentra a fauna em lagoas, baías e margens, e a vegetação aberta deixa tudo à vista. É o melhor lugar da América do Sul para ver onças-pintadas, jacarés, capivaras, araras-azuis, tuiuiús e centenas de espécies de aves. A vida pantaneira também é parte da viagem: fazendas de gado, peões a cavalo e comida de fogão a lenha.

Como os dois lados se diferenciam

Os dois lados ficam em estados diferentes, então as estradas, as áreas protegidas e os órgãos responsáveis também mudam.

Norte (Mato Grosso). A estrada de entrada é a Transpantaneira (MT-060), que vai por 147 km de Poconé até Porto Jofre, no Rio Cuiabá. É de terra e cruza mais de cem pontes, muitas de madeira, embora dezenas já tenham sido trocadas por concreto. Em Porto Jofre a estrada termina e os barcos assumem. Dali se chega por rio ao Parque Estadual Encontro das Águas, uma área de cerca de 108.000 hectares criada em 2004. A atração principal do norte é observar onças de barco, em saídas de manhã e à tarde. A própria estrada já rende muito: jacarés, capivaras e aves aparecem nas lagoas ao lado da pista.

Sul (Mato Grosso do Sul). A partir de Campo Grande, Aquidauana e Miranda ficam a cerca de 2 a 3 horas de carro, Porto Murtinho a cerca de 5 horas e Corumbá a cerca de 6 horas, ou 420 km pela BR-262. Corumbá é o maior município do Pantanal sul-mato-grossense. O sul é terra de grandes fazendas que recebem hóspedes, com safáris fotográficos, passeios a cavalo, trilhas, passeios de barco, pesca esportiva com devolução, focagem noturna e observação de aves. A Estrada Parque Pantanal, de terra, sai da BR-262 perto de Corumbá e cruza áreas alagadas cheias de fauna.

Áreas protegidas. A Área de Conservação do Pantanal, inscrita pela UNESCO em 2000, reúne quatro áreas protegidas com 187.818 hectares no extremo sudoeste de Mato Grosso. O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, criado em 1981 no município de Poconé, foi ampliado em março de 2026 para cerca de 183.095 hectares. A entrada exige autorização prévia do ICMBio, e o acesso é por rio: cerca de 150 km pelo Rio Cuiabá desde Porto Jofre ou cerca de 230 km pelo Rio Paraguai desde Corumbá. O parque não tem estrutura turística, e as visitas se limitam a uma área pequena perto da sede.

Confirme antes de ir: o pedido de visita ao parque nacional se faz com o ICMBio, com antecedência. As regras do Parque Estadual Encontro das Águas e da Transpantaneira são da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT); seu operador deve conhecê-las.

Como chegar

As duas bases têm aeroporto. O aeroporto de Campo Grande é operado pela espanhola Aena desde outubro de 2023. O Aeroporto Marechal Rondon, que atende Cuiabá, fica em Várzea Grande e recebeu liberação aduaneira para voos internacionais em novembro de 2024. Na prática, a maioria dos viajantes chega aos dois por conexão em São Paulo ou Brasília. Para tipos de companhia e reservas, veja voos domésticos no Brasil.

Do aeroporto até o Pantanal, o caminho mais simples é o traslado oferecido pelo lodge. Há ônibus de Cuiabá a Poconé e de Campo Grande a Miranda, Aquidauana e Corumbá, mas eles deixam você na cidade, ainda longe das fazendas. Confira horários nas rodoviárias de Cuiabá e Campo Grande e combine o último trecho com a hospedagem. Para dicas gerais, veja viagem de ônibus pelo Brasil.

Corumbá é cidade de fronteira com a Bolívia. Se você chega de lá, a Polícia Federal carimba sua entrada no posto de Corumbá. Horários e regras estão na página de fronteiras terrestres do Brasil.

Quando ir

O ano no Pantanal gira em torno da cheia. De maio a setembro é a seca, melhor para observar animais porque a fauna se concentra nas baías permanentes e nas margens dos rios. De outubro a abril é a cheia, mais verde, com mais chuva e boa para passeios de barco e a cavalo. Para onças em Porto Jofre, julho a outubro é o período mais procurado.

As cheias variam muito de um ano para outro. A de 2026 ficou abaixo da média: em 19 de abril, a régua de Ladário marcou 1,95 m, contra uma mediana de cerca de 3,18 m para a data. As chuvas de outubro de 2025 a março de 2026 ficaram de 10% a 12% abaixo da média, um efeito que se soma à seca prolongada que começou em 2019. A previsão era de navegação e turismo sem prejuízo, com impacto maior sobre a pesca. 2024 foi o ano mais seco das últimas quatro décadas no bioma, e a área de água caiu muito desde 1985.

O fogo é um risco nos meses secos. Pelo menos 15% do Pantanal queimou em 2024, e Mato Grosso do Sul declarou emergência ambiental em junho de 2026, por 180 dias, por causa da seca e do calor. Em anos assim, partes do bioma podem ficar cobertas de fumaça.

Confirme antes de ir: a situação de incêndios e as datas de proibição do uso do fogo mudam a cada ano. Pergunte ao seu lodge na semana da viagem e acompanhe os avisos da SEMA-MT e do governo de Mato Grosso do Sul.

Onde ficar

No Pantanal, a hospedagem define a viagem. Para o norte, as cidades-base são Cuiabá e Poconé, mas o ideal é dormir nas pousadas ao longo da Transpantaneira ou em Porto Jofre, perto dos barcos. Uma divisão comum é passar uma ou duas noites na metade da estrada e duas ou três em Porto Jofre. Para o sul, as bases são Miranda, Aquidauana e Corumbá, com fazendas espalhadas em volta. A base Caiman Pantanal do Onçafari, com 53.000 hectares em Miranda, recebe hóspedes para observar onças desde 2011 (veja a página de fauna).

Quase todos os lodges vendem pacotes com pensão completa e passeios. Pergunte por escrito o que entra: traslados, número de saídas, guia em inglês e bebidas.

O que fazer

A fauna é o motivo pelo qual a maioria das pessoas vai. No norte, o dia gira em torno dos barcos de onça no Rio Cuiabá e afluentes, com ariranhas, jacarés e aves no caminho. No sul, a variedade é maior: safári em veículo aberto, cavalgada com peões, canoagem, pesca com devolução e focagem noturna para ver tamanduás, cachorros-do-mato e, com sorte, jaguatiricas. Corumbá acrescenta passeios de barco pelo Rio Paraguai e o centro histórico às margens do rio. Para as espécies principais, veja onde ver onças-pintadas, araras e ariranhas.

Custos

O Pantanal não é um destino barato. O valor da diária depende do lodge, do tipo de passeio e de o barco ser compartilhado ou privativo. Os pacotes de onça em Porto Jofre e as fazendas mais conhecidas do sul estão no topo da faixa. Traslados privativos a partir de Cuiabá ou Campo Grande pesam no total. Peça orçamentos por escrito a dois ou três lodges para as mesmas datas e compare o que cada um inclui.

Confirme antes de ir: preços de lodges e traslados mudam por temporada e sobem de julho a outubro. Reserve cedo para a seca.

Dicas práticas

  • Leve binóculo, roupa leve de manga longa, chapéu e repelente forte.
  • Na Transpantaneira, não dirija à noite e reduza nas pontes de madeira.
  • O sinal de celular é fraco ou inexistente em boa parte do bioma.
  • Leve dinheiro para gorjetas e extras; nem toda fazenda aceita cartão.
  • Nunca alimente animais e mantenha distância dos jacarés na beira d’água.

Pule se

  • Você tem menos de três noites. Corumbá fica a cerca de 6 horas de Campo Grande, e a Transpantaneira tem 147 km de terra.
  • Você espera avistamentos garantidos. Cheias e incêndios mudam as condições de um ano para outro.
  • O orçamento é curto. Pacotes com pensão completa e barco custam caro.
  • Calor e mosquitos estragam sua viagem. Mesmo na seca, as tardes são quentes.
  • Você quer vida noturna ou cidade. O Pantanal é acordar cedo e dormir cedo.

Próximos passos

Para combinar o sul com Bonito, leia Bonito: rios para flutuação e como funciona a reserva e o roteiro Pantanal e Bonito em 7 dias. Planeje roupas e fusos com fusos horários do Brasil e melhor época para viajar pelo Brasil.

Perguntas

Em que estado fica o Pantanal?
Nos dois. O Pantanal se estende por Mato Grosso, ao norte, e Mato Grosso do Sul, ao sul, que tem cerca de 65% da área. Os dois estados usam UTC−4, uma hora a menos que o horário de Brasília.
O Pantanal é melhor na seca ou na cheia?
Depende do que você quer. De maio a setembro é a seca, melhor para observar animais; de outubro a abril é a cheia, boa para passeios de barco e a cavalo. Para onças no norte, julho a outubro é o período mais forte.
Qual foi o tamanho da cheia de 2026?
Abaixo da média. Em 19 de abril de 2026, a régua de Ladário marcou 1,95 m, cerca de 1,2 m abaixo da mediana histórica de 3,18 m para a data. A previsão era de navegação e turismo sem prejuízo.
Dá para combinar o Pantanal com Bonito?
Dá. Bonito fica em Mato Grosso do Sul, o mesmo estado do Pantanal Sul, a poucas horas de Miranda. O roteiro de 7 dias propõe uma ordem para os dois.
Posso visitar o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense?
Só com autorização prévia do ICMBio, e não há cobrança de ingresso. O parque não tem estrutura turística e o acesso é por rio, então a maioria dos viajantes vê a mesma paisagem a partir de Porto Jofre ou Corumbá.
Corumbá tem posto de fronteira?
Tem. A Polícia Federal mantém o Posto de Migração Terrestre de Corumbá na Praça da República 51, aberto das 8h ao meio-dia em dias úteis. Veja a página de fronteiras terrestres antes de cruzar.

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