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Minas Gerais é o principal estado produtor de cachaça do Brasil. O Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura, contou lá 564 estabelecimentos produtores registrados em 2025, de um total de 1.538 no Brasil. O melhor lugar para visitá-los é Salinas, no norte do estado, com dezenas de alambiques e um museu da cachaça mantido com apoio do governo estadual.
Esta página cobre Salinas, Belo Horizonte e Paraty, as três bases mais práticas para quem quer ver cachaça sendo feita, provar direto do produtor e entender por que a bebida é tão ligada à história do Brasil.
O que é cachaça
Cachaça é a aguardente feita do caldo fresco da cana-de-açúcar, com 38% a 48% de álcool por volume a 20 °C (Decreto 6.871/2009, artigo 53). Ela difere do rum, que costuma ser feito de melaço. O caldo fermenta, é destilado e depois descansa em tanques de aço ou envelhece em barris de madeira.
A cachaça de alambique é a artesanal, destilada em pequenos alambiques de cobre, em lotes. A cachaça industrial sai de colunas de destilação contínua, em grande volume. Nas visitas, você vai ver quase sempre a primeira.
Os números mostram o tamanho do setor. No fim de 2018, o Brasil tinha 951 estabelecimentos produtores registrados, 421 deles em Minas Gerais. Em 2025, eram 1.538 no Brasil, contra 1.266 no ano anterior, e 564 em Minas, contra 501. Muitos pequenos produtores ainda trabalham sem registro, então a produção real é maior.
Aonde ir
Salinas, Minas Gerais
Salinas é conhecida como a capital nacional da cachaça artesanal. Em 2017, a cidade tinha cerca de 50 alambiques, e 25 deles tinham o selo de indicação geográfica do INPI. Salinas também é o município com mais marcas de cachaça registradas no Brasil.
Entre os produtores conhecidos da cidade estão Havana, Nova Aliança, Seleta e Salinas. A Havana é uma produtora tradicional que data da década de 1940, com volume pequeno, perto de 30.000 litros por ano. A Seleta é uma das grandes, com mais de 1 milhão de litros por ano. Os dois extremos mostram a variedade da cidade: do alambique familiar à marca vendida no país inteiro.
Confirme antes de ir: nem todo alambique abre para visitas, e os que abrem costumam pedir agendamento. Antes de viajar, ligue ou mande mensagem para os produtores que quer conhecer, ou peça uma lista à secretaria de turismo da prefeitura de Salinas. Pergunte se a visita é guiada, se inclui degustação e quanto custa.
Museu da Cachaça. O governo de Minas Gerais criou o museu, que abriu em dezembro de 2012 e foi reformado de janeiro a julho de 2017. Tem nove salas sobre o papel da cachaça em Minas Gerais e a variedade de rótulos artesanais. O endereço é Avenida Antônio Carlos, 1250, Casa Blanca, Salinas. Os horários de referência são:
| Dia | Horário |
|---|---|
| Quarta a sexta | 14h às 20h |
| Sábado | 12h às 18h |
| Domingo | 7h às 13h |
Horários de museus municipais mudam com frequência. Ligue para (38) 3841-4800 antes de ir para confirmar o horário e o valor da entrada.
A região em volta de Salinas forma o Circuito da Cachaça, que inclui Novorizonte e outros municípios do norte de Minas. Com carro, dá para combinar alambiques de cidades vizinhas no mesmo roteiro.
Belo Horizonte
Belo Horizonte é o jeito mais fácil de provar muitas cachaças mineiras sem ir ao interior. O Mercado Central tem dezenas de lojas de cachaça onde dá para provar e comprar. Ele abre de segunda a sábado das 8h às 18h e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Veja mercados municipais e feiras do Brasil para conhecer o mercado.
Nas lojas do mercado, peça para provar antes de comprar. Os vendedores costumam servir doses pequenas e explicar a madeira de cada rótulo. Aproveite para comer queijo, doce de leite e os petiscos dos botecos do próprio mercado.
A Expocachaça, feira do setor, realizou sua 35ª edição no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte, de 6 a 8 de agosto de 2026, com cerca de 250 expositores de 18 estados. A feira acontece todo ano. Confira com os organizadores as datas da próxima edição e se há dias abertos ao público.
Paraty, estado do Rio de Janeiro
Paraty é a opção mais fácil para quem está no Rio ou em São Paulo. Em 2007, a cidade recebeu do INPI a primeira indicação geográfica de cachaça do Brasil. Seis empresas familiares usam o selo e produzem de 350.000 a 400.000 litros por ano. A maior parte da produção é vendida aos visitantes, nas degustações dos próprios alambiques.
Quatro alambiques de Paraty conhecidos por receber visitantes são Maria Izabel, Coqueiro, Engenho D’Ouro e Paratiana. O Coqueiro é um produtor familiar desde 1803, e a visita inclui os tonéis de envelhecimento e uma sessão de mistura. A visita à Paratiana inclui um museu da cachaça.
Os alambiques ficam fora do centro histórico, na zona rural e na estrada para Cunha. Vá de carro, táxi ou passeio organizado. Um passeio de meio dia costuma cobrir dois ou três produtores.
Confirme antes de ir: horários e preços das visitas em Paraty mudam conforme a temporada. Fale com cada alambique antes de ir ou reserve pela sua pousada, que costuma ter contato com os produtores e com motoristas.
Outros estados
Areia, na Paraíba, tem engenhos de cana abertos à visitação, numa paisagem de serra no brejo paraibano. Maranguape, no Ceará, perto de Fortaleza, tem um museu da cachaça numa antiga fábrica da Ypióca. As duas opções funcionam bem para quem já está viajando pelo Nordeste. Confirme horários e preços com os locais antes de ir.
Como chegar
Salinas fica no norte de Minas, longe da capital, e chegar exige planejamento. A forma mais comum é de ônibus a partir da rodoviária de Belo Horizonte, numa viagem longa que muita gente faz à noite. Outra opção é voar até Montes Claros, a principal cidade do norte de Minas, e seguir de ônibus ou carro alugado até Salinas.
Compre a passagem de ônibus na rodoviária ou nos sites das viações que atendem Salinas, e confira os horários do dia antes de viajar. Para saber como funcionam as passagens de longa distância, veja viagem de ônibus pelo Brasil.
Paraty fica na Costa Verde, na BR-101, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Há ônibus diretos das rodoviárias das duas cidades. De carro, a estrada costeira é bonita, mas tem curvas e trânsito pesado nos feriados.
Quando ir
O Festival Mundial da Cachaça é a época de maior movimento em Salinas. A 23ª edição foi de 10 a 12 de julho de 2026, no Parque de Exposições Adail Melo, com mais de 45.000 visitantes esperados. O festival acontece todo ano desde 2002, sempre no meio do ano.
Confirme antes de ir: as datas do festival são anunciadas pela prefeitura de Salinas alguns meses antes. Se quiser ir, reserve a hospedagem assim que as datas saírem, porque a cidade lota.
Fora do festival, a melhor época para o norte de Minas é a estação seca, mais ou menos de maio a setembro. As estradas de terra até os alambiques ficam mais fáceis, e a colheita e a moagem da cana costumam acontecer nesses meses. É quando você vê o alambique funcionando. Na estação chuvosa, do fim da primavera ao verão, estradas rurais podem ficar ruins.
Em Paraty, o inverno é seco e ameno, e o verão é quente e chuvoso. A cidade costuma realizar o Festival da Pinga em agosto; confira as datas na programação cultural da prefeitura.
Onde ficar
Salinas tem hotéis e pousadas simples, voltados para quem viaja a trabalho e para visitantes do festival. Reserve pelos sites de reserva ou pelo telefone do hotel, e confirme se o preço muda nas datas do festival. Montes Claros tem mais opções e serve de base se você estiver de carro.
Em Paraty, fique no centro histórico ou perto dele para andar a pé à noite. Pousadas fora do centro costumam ser mais baratas e mais perto dos alambiques, mas exigem carro.
Para a região mais ampla de Minas, o guia de Minas Gerais cobre Ouro Preto e Tiradentes.
O que fazer
- Visite o Museu da Cachaça em Salinas para ver a variedade de rótulos e a história da bebida em Minas.
- Prove num alambique. Pergunte por quanto tempo e em que madeira a cachaça envelheceu. Amburana, bálsamo, jequitibá e carvalho são madeiras comuns, cada uma com sabor próprio.
- Peça para ver o alambique de cobre e a moenda. Na safra, você vê a cana sendo moída e o caldo fermentando.
- Compre direto do produtor. Muitos rótulos pequenos só são vendidos no local ou na região.
- Combine com comida. Comida mineira cobre a cozinha do estado, e comida brasileira por região cobre queijo e outros alimentos tradicionais.
Destilados são fortes. Combine um motorista ou um táxi antes de um dia de degustação, porque a lei seca brasileira tem tolerância zero para álcool ao volante.
Custos
Os preços variam muito entre produtores. Algumas degustações são gratuitas para quem compra garrafas, e outras são visitas guiadas cobradas por pessoa. Pergunte o valor ao agendar.
Garrafas compradas no alambique costumam sair mais baratas do que em lojas de cidade grande. Leve espaço na mala e embale bem: garrafas de vidro precisam ir na bagagem despachada. Em cidades pequenas, nem todo produtor aceita cartão, então tenha Pix ou dinheiro. Veja dinheiro no Brasil.
Dicas práticas
- Beba água entre as doses e coma antes de uma degustação.
- Se for levar garrafas para casa, confira a cota de bebidas alcoólicas do seu país.
- Em Salinas, pergunte na hospedagem quais produtores recebem visitas naquela semana.
- No festival, compre ingressos e reserve transporte com antecedência.
Pule se
- Você quer um horário de visita fixo e reserva on-line. A maioria dos alambiques funciona por agendamento direto, por telefone ou mensagem.
- Você não bebe destilados. O museu de Salinas é a principal atração sem degustação, e a viagem até o norte de Minas é longa para isso.
- Você tem um só dia em Minas. Salinas fica no norte do estado, longe das cidades coloniais. Nesse caso, prove cachaça no Mercado Central de Belo Horizonte.
- Você não gosta de estradas longas. Chegar a Salinas leva horas de ônibus ou carro, e os alambiques ficam na zona rural.
Perguntas
- O que é cachaça, legalmente?
- Uma aguardente de cana com 38% a 48% de álcool por volume a 20 °C, conforme o artigo 53 do Decreto 6.871/2009.
- Qual é o melhor lugar para visitar alambiques em Minas Gerais?
- Salinas, no norte do estado, conhecida como a capital nacional da cachaça artesanal. A cidade tinha cerca de 50 alambiques em 2017, 25 deles com o selo de indicação geográfica do INPI.
- Quando é o festival da cachaça de Salinas?
- O Festival Mundial da Cachaça acontece todo ano em julho, no Parque de Exposições Adail Melo; a edição de 2026 foi de 10 a 12 de julho. Confira as datas do ano seguinte com a prefeitura de Salinas e reserve hospedagem cedo.
- Posso visitar o museu da cachaça em Salinas?
- Sim. O Museu da Cachaça fica na Avenida Antônio Carlos, 1250, e costuma abrir de quarta a domingo. Ligue antes para (38) 3841-4800 para confirmar horário e entrada.
- Paraty é uma boa alternativa a Minas?
- Sim, e é mais fácil de chegar. Paraty, no estado do Rio de Janeiro, recebeu a primeira indicação geográfica de cachaça do Brasil em 2007, e vários alambiques da região recebem visitantes para degustação.
- Quantos produtores de cachaça Minas Gerais tem?
- O Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura, conta 564 estabelecimentos registrados em 2025, contra 501 em 2024. No fim de 2018 eram 421.
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