Comida e bebida

Comida mineira: guia da cozinha de Minas Gerais

6 min de leitura

Páginas salvas
Nesta página
  1. De onde vem essa cozinha
  2. O que pedir
  3. Onde comer
  4. Quando ir
  5. Queijo minas
  6. Custos
  7. Dicas práticas
  8. Pule se

Comida mineira é a cozinha de Minas Gerais: feijão, farinha de mandioca, porco, verduras e queijo. É comida caseira, farta, feita muitas vezes no fogão a lenha. O lugar mais fácil para provar tudo de uma vez é o Mercado Central de Belo Horizonte, aberto de segunda a sábado das 8h às 18h e aos domingos das 8h às 13h. Em 2024, a UNESCO reconheceu os modos tradicionais de fazer o queijo minas artesanal como patrimônio da humanidade.

De onde vem essa cozinha

A cozinha mineira nasceu no ciclo do ouro do século 18, quando Minas virou ponto de encontro de povos. Portugueses, africanos escravizados, povos indígenas e tropeiros paulistas juntaram ingredientes simples e duráveis. O feijão, a farinha, o milho e a carne de porco conservada na banha aguentavam viagens longas pelas serras.

Muitos dos pratos que hoje são símbolo de Minas foram criados e mantidos por cozinheiras negras, nas cozinhas das fazendas e das cidades do ouro. Trate essa comida como herança compartilhada. Quem cozinha nas fazendas e nas pequenas cidades é anfitrião, não cenário.

O que pedir

Estes são os pratos que você vai encontrar em quase todo restaurante mineiro.

PratoO que é
Tutu de feijãoFeijão engrossado com farinha de mandioca, servido com torresmo, linguiça e couve refogada
Feijão tropeiroFeijão, farinha de mandioca, linguiça, ovos e bacon, ligado às viagens dos tropeiros
Frango com quiaboFrango cozido com quiabo num caldo grosso, quase sempre com angu
Vaca atoladaCostela de boi cozida com mandioca até desmanchar
Pão de queijoPolvilho e queijo minas num pãozinho assado
TorresmoBarriga de porco frita, crocante por fora e macia por dentro
Doce de leiteLeite e açúcar cozidos até virar creme
Bolo de fubá com goiabadaBolo de milho com goiabada, um clássico do café da tarde

Acompanhamentos. Arroz, couve refogada bem fininha, angu de fubá e mandioca frita aparecem em quase todo prato. Peça também ora-pro-nóbis, uma folha de cerca viva muito usada com frango ou carne.

Doces e quitandas. Em Minas, “quitanda” é o nome dos biscoitos, broas e bolos do café. Prove o biscoito de polvilho, a broa de fubá e a goiabada cascão com queijo minas, a dupla chamada de Romeu e Julieta.

Bebidas. Minas é grande produtora de café e de cachaça artesanal. Salinas, no norte do estado, é a região de cachaça mais conhecida. Beba com moderação.

Onde comer

Mercado Central, Belo Horizonte. Fica na Av. Augusto de Lima 744, no Centro, e a entrada é gratuita. São centenas de lojas e bancas: queijarias, doces, cachaças, temperos, panelas de pedra-sabão e bares de balcão. Várias queijarias vendem queijo artesanal das principais regiões e doce de leite. O mercado também tem um espaço cultural, o Castelinho, e uma cozinha-escola com oficinas.

Ficar de pé no balcão de um bar do mercado com um petisco e uma cerveja é parte da visita. Peça fígado com jiló, o petisco mais famoso do mercado, além de torresmo e linguiça.

Restaurantes de comida mineira. Em Belo Horizonte e nas cidades históricas, muitos restaurantes servem comida no fogão a lenha, em sistema de bufê por quilo ou de self-service à vontade. É a forma mais barata de provar vários pratos numa refeição.

Botecos de Belo Horizonte. A cidade tem fama de capital dos bares, e o petisco de boteco é quase um gênero da cozinha mineira. Todo ano, um concurso de petiscos de bar movimenta a cidade e espalha pratos criativos pelos bairros.

Cidades históricas. Para Ouro Preto e as cidades coloniais, veja Ouro Preto e Tiradentes e a Estrada Real. Tiradentes concentra restaurantes mais caros e elaborados. O panorama do Brasil todo está em comida brasileira por região.

Quando ir

A comida mineira se come o ano todo. O inverno, de junho a agosto, é seco e frio nas serras, a melhor época para pratos quentes, caldos e fogão a lenha. É também a época das festas juninas, com canjica, quentão e pé de moleque.

No Mercado Central, vá de manhã, sobretudo no domingo, quando ele fecha às 13h. Sábado de manhã é o dia mais cheio e mais animado.

Confirme antes de ir: várias cidades mineiras fazem festivais gastronômicos, de cachaça e de queijo, com datas que mudam de um ano para o outro. Consulte a secretaria estadual de turismo de Minas Gerais e a secretaria de turismo de cada cidade. Para os festivais nacionais, veja o calendário de festas do Brasil.

Queijo minas

O queijo minas artesanal é o centro da cozinha mineira e o produto com mais reconhecimento oficial.

  • UNESCO. Em 2024, a UNESCO inscreveu os modos tradicionais de fazer o queijo minas artesanal. A maioria dos produtores tem pequenas propriedades rurais familiares. Eles usam leite cru e o pingo, um fermento natural tirado do soro do queijo do dia anterior. O saber passa de geração em geração dentro das famílias.
  • IPHAN. Em 2008, o modo de fazer queijo do Serro, da Serra da Canastra e da Serra do Salitre entrou no registro nacional de patrimônio imaterial, na categoria Saberes.
  • Regiões. Minas tem dez microrregiões oficialmente caracterizadas para o queijo artesanal: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serras da Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro. Cada uma tem clima, pasto e sabor próprios.
  • Serro. O modo de fazer queijo do Serro foi o primeiro bem cultural reconhecido como patrimônio imaterial pelo Iepha-MG, o instituto estadual, em 2002. A rota do queijo do Serro abrange 11 municípios e cerca de 800 pequenos produtores.
  • Canastra. A região da Canastra também reúne cerca de 800 produtores e tem Indicação de Procedência desde 2012. O queijo é cilíndrico, pesa de 1,0 a 1,2 kg e tem casca fina amarelada.
  • Maturação. O queijo fresco tem sabor suave e textura macia. Com semanas de cura, fica mais firme e intenso. As regras estaduais fixam um tempo mínimo de maturação que varia por região, e muitos produtores curam bem mais que isso. Pergunte ao produtor quantos dias tem o queijo que você vai comprar e prove antes.

O estado e o Sebrae lançaram rotas turísticas do queijo para a Canastra e o Serro, com fazendas abertas a visitas. Veja a Serra da Canastra para o parque e a região do queijo, e o Parque Estadual do Ibitipoca para a microrregião das Serras da Ibitipoca.

Visitar uma fazenda. Você entra como hóspede de um negócio familiar. Avise antes de chegar, peça licença antes de fotografar as pessoas e compre alguma coisa.

Comprar para levar para casa. O produtor precisa registrar a queijaria no IMA, o órgão estadual, para vender dentro de Minas. Para vender em outros estados, precisa também do Selo Arte. Prefira queijos com esses selos e peça embalagem a vácuo.

Confirme antes de ir: muitos países restringem a entrada de queijo de leite cru, e as regras mudam. Antes de comprar para levar, consulte a aduana e o serviço sanitário do seu país. Veja também a cota de isenção da alfândega no Brasil.

Custos

Comer em Minas costuma sair mais barato que em São Paulo ou no Rio. Os restaurantes de bufê por quilo são a opção mais econômica para provar vários pratos. Um pão de queijo e um café custam poucos reais na maioria das padarias.

Queijos artesanais têm preço por peça ou por quilo, que muda conforme a região, o tempo de cura e os prêmios do produtor. Restaurantes de cidades históricas turísticas, como Tiradentes, cobram mais. Pergunte o preço antes de pedir porções em bares, que costumam ser grandes e servir duas ou três pessoas. Para saber como pagar em cidades pequenas, veja dinheiro no Brasil.

Dicas práticas

  • Peça meia porção quando houver. As porções mineiras são grandes.
  • Experimente o queijo antes de comprar uma peça inteira. As queijarias costumam oferecer prova.
  • Leve uma bolsa térmica se for comprar queijo e doce para a viagem.
  • Nas cidades pequenas, almoço é a refeição principal. Muitos restaurantes fecham cedo à noite.
  • Quem não come carne encontra opções nos bufês, mas confira se o feijão e a couve levam toucinho.

Pule se

  • Você não come porco. Torresmo, linguiça e bacon aparecem na maioria dos pratos.
  • Você evita queijo de leite cru. O queijo minas artesanal é feito com leite cru.
  • Você procura comida leve. A cozinha mineira é farta, gordurosa e cheia de carboidrato.
  • Você planeja uma tarde de domingo no Mercado Central. Ele fecha às 13h aos domingos e feriados.

Leia o guia de Minas Gerais para situar essas paradas num mapa.

Perguntas

O que é comida mineira?
É a comida caseira de Minas Gerais: feijão, farinha de mandioca, porco, linguiça, verduras e queijo, muitas vezes feita no fogão a lenha. Nasceu no ciclo do ouro do século 18, da mistura de portugueses, africanos, povos indígenas e tropeiros paulistas.
O que comer em Minas Gerais?
Comece por tutu de feijão, feijão tropeiro, frango com quiabo, pão de queijo, torresmo e doce de leite. O Mercado Central de Belo Horizonte vende quase tudo isso num lugar só.
Qual é o horário do Mercado Central?
De segunda a sábado das 8h às 18h, e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Fica na Av. Augusto de Lima 744, no Centro de Belo Horizonte.
O queijo minas é feito com leite cru?
O queijo minas artesanal, sim: é feito com leite cru e um fermento natural chamado pingo. Para vender fora de Minas Gerais, o produtor precisa do Selo Arte, além do registro no IMA, o órgão estadual.
Dá para levar queijo de Minas para casa?
Dentro do Brasil, sim, de preferência queijo com Selo Arte, bem embalado. Para outro país, as regras de entrada de queijo de leite cru variam muito; confira a aduana do seu país antes de comprar.

Esta página foi útil?

Newsletter

The Detour

Um e-mail, dois segmentos. Escolha o que combina com seus planos e receba o download grátis ao se inscrever.

Seu segmento