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Comida mineira é a cozinha de Minas Gerais: feijão, farinha de mandioca, porco, verduras e queijo. É comida caseira, farta, feita muitas vezes no fogão a lenha. O lugar mais fácil para provar tudo de uma vez é o Mercado Central de Belo Horizonte, aberto de segunda a sábado das 8h às 18h e aos domingos das 8h às 13h. Em 2024, a UNESCO reconheceu os modos tradicionais de fazer o queijo minas artesanal como patrimônio da humanidade.
De onde vem essa cozinha
A cozinha mineira nasceu no ciclo do ouro do século 18, quando Minas virou ponto de encontro de povos. Portugueses, africanos escravizados, povos indígenas e tropeiros paulistas juntaram ingredientes simples e duráveis. O feijão, a farinha, o milho e a carne de porco conservada na banha aguentavam viagens longas pelas serras.
Muitos dos pratos que hoje são símbolo de Minas foram criados e mantidos por cozinheiras negras, nas cozinhas das fazendas e das cidades do ouro. Trate essa comida como herança compartilhada. Quem cozinha nas fazendas e nas pequenas cidades é anfitrião, não cenário.
O que pedir
Estes são os pratos que você vai encontrar em quase todo restaurante mineiro.
| Prato | O que é |
|---|---|
| Tutu de feijão | Feijão engrossado com farinha de mandioca, servido com torresmo, linguiça e couve refogada |
| Feijão tropeiro | Feijão, farinha de mandioca, linguiça, ovos e bacon, ligado às viagens dos tropeiros |
| Frango com quiabo | Frango cozido com quiabo num caldo grosso, quase sempre com angu |
| Vaca atolada | Costela de boi cozida com mandioca até desmanchar |
| Pão de queijo | Polvilho e queijo minas num pãozinho assado |
| Torresmo | Barriga de porco frita, crocante por fora e macia por dentro |
| Doce de leite | Leite e açúcar cozidos até virar creme |
| Bolo de fubá com goiabada | Bolo de milho com goiabada, um clássico do café da tarde |
Acompanhamentos. Arroz, couve refogada bem fininha, angu de fubá e mandioca frita aparecem em quase todo prato. Peça também ora-pro-nóbis, uma folha de cerca viva muito usada com frango ou carne.
Doces e quitandas. Em Minas, “quitanda” é o nome dos biscoitos, broas e bolos do café. Prove o biscoito de polvilho, a broa de fubá e a goiabada cascão com queijo minas, a dupla chamada de Romeu e Julieta.
Bebidas. Minas é grande produtora de café e de cachaça artesanal. Salinas, no norte do estado, é a região de cachaça mais conhecida. Beba com moderação.
Onde comer
Mercado Central, Belo Horizonte. Fica na Av. Augusto de Lima 744, no Centro, e a entrada é gratuita. São centenas de lojas e bancas: queijarias, doces, cachaças, temperos, panelas de pedra-sabão e bares de balcão. Várias queijarias vendem queijo artesanal das principais regiões e doce de leite. O mercado também tem um espaço cultural, o Castelinho, e uma cozinha-escola com oficinas.
Ficar de pé no balcão de um bar do mercado com um petisco e uma cerveja é parte da visita. Peça fígado com jiló, o petisco mais famoso do mercado, além de torresmo e linguiça.
Restaurantes de comida mineira. Em Belo Horizonte e nas cidades históricas, muitos restaurantes servem comida no fogão a lenha, em sistema de bufê por quilo ou de self-service à vontade. É a forma mais barata de provar vários pratos numa refeição.
Botecos de Belo Horizonte. A cidade tem fama de capital dos bares, e o petisco de boteco é quase um gênero da cozinha mineira. Todo ano, um concurso de petiscos de bar movimenta a cidade e espalha pratos criativos pelos bairros.
Cidades históricas. Para Ouro Preto e as cidades coloniais, veja Ouro Preto e Tiradentes e a Estrada Real. Tiradentes concentra restaurantes mais caros e elaborados. O panorama do Brasil todo está em comida brasileira por região.
Quando ir
A comida mineira se come o ano todo. O inverno, de junho a agosto, é seco e frio nas serras, a melhor época para pratos quentes, caldos e fogão a lenha. É também a época das festas juninas, com canjica, quentão e pé de moleque.
No Mercado Central, vá de manhã, sobretudo no domingo, quando ele fecha às 13h. Sábado de manhã é o dia mais cheio e mais animado.
Confirme antes de ir: várias cidades mineiras fazem festivais gastronômicos, de cachaça e de queijo, com datas que mudam de um ano para o outro. Consulte a secretaria estadual de turismo de Minas Gerais e a secretaria de turismo de cada cidade. Para os festivais nacionais, veja o calendário de festas do Brasil.
Queijo minas
O queijo minas artesanal é o centro da cozinha mineira e o produto com mais reconhecimento oficial.
- UNESCO. Em 2024, a UNESCO inscreveu os modos tradicionais de fazer o queijo minas artesanal. A maioria dos produtores tem pequenas propriedades rurais familiares. Eles usam leite cru e o pingo, um fermento natural tirado do soro do queijo do dia anterior. O saber passa de geração em geração dentro das famílias.
- IPHAN. Em 2008, o modo de fazer queijo do Serro, da Serra da Canastra e da Serra do Salitre entrou no registro nacional de patrimônio imaterial, na categoria Saberes.
- Regiões. Minas tem dez microrregiões oficialmente caracterizadas para o queijo artesanal: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serras da Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro. Cada uma tem clima, pasto e sabor próprios.
- Serro. O modo de fazer queijo do Serro foi o primeiro bem cultural reconhecido como patrimônio imaterial pelo Iepha-MG, o instituto estadual, em 2002. A rota do queijo do Serro abrange 11 municípios e cerca de 800 pequenos produtores.
- Canastra. A região da Canastra também reúne cerca de 800 produtores e tem Indicação de Procedência desde 2012. O queijo é cilíndrico, pesa de 1,0 a 1,2 kg e tem casca fina amarelada.
- Maturação. O queijo fresco tem sabor suave e textura macia. Com semanas de cura, fica mais firme e intenso. As regras estaduais fixam um tempo mínimo de maturação que varia por região, e muitos produtores curam bem mais que isso. Pergunte ao produtor quantos dias tem o queijo que você vai comprar e prove antes.
O estado e o Sebrae lançaram rotas turísticas do queijo para a Canastra e o Serro, com fazendas abertas a visitas. Veja a Serra da Canastra para o parque e a região do queijo, e o Parque Estadual do Ibitipoca para a microrregião das Serras da Ibitipoca.
Visitar uma fazenda. Você entra como hóspede de um negócio familiar. Avise antes de chegar, peça licença antes de fotografar as pessoas e compre alguma coisa.
Comprar para levar para casa. O produtor precisa registrar a queijaria no IMA, o órgão estadual, para vender dentro de Minas. Para vender em outros estados, precisa também do Selo Arte. Prefira queijos com esses selos e peça embalagem a vácuo.
Confirme antes de ir: muitos países restringem a entrada de queijo de leite cru, e as regras mudam. Antes de comprar para levar, consulte a aduana e o serviço sanitário do seu país. Veja também a cota de isenção da alfândega no Brasil.
Custos
Comer em Minas costuma sair mais barato que em São Paulo ou no Rio. Os restaurantes de bufê por quilo são a opção mais econômica para provar vários pratos. Um pão de queijo e um café custam poucos reais na maioria das padarias.
Queijos artesanais têm preço por peça ou por quilo, que muda conforme a região, o tempo de cura e os prêmios do produtor. Restaurantes de cidades históricas turísticas, como Tiradentes, cobram mais. Pergunte o preço antes de pedir porções em bares, que costumam ser grandes e servir duas ou três pessoas. Para saber como pagar em cidades pequenas, veja dinheiro no Brasil.
Dicas práticas
- Peça meia porção quando houver. As porções mineiras são grandes.
- Experimente o queijo antes de comprar uma peça inteira. As queijarias costumam oferecer prova.
- Leve uma bolsa térmica se for comprar queijo e doce para a viagem.
- Nas cidades pequenas, almoço é a refeição principal. Muitos restaurantes fecham cedo à noite.
- Quem não come carne encontra opções nos bufês, mas confira se o feijão e a couve levam toucinho.
Pule se
- Você não come porco. Torresmo, linguiça e bacon aparecem na maioria dos pratos.
- Você evita queijo de leite cru. O queijo minas artesanal é feito com leite cru.
- Você procura comida leve. A cozinha mineira é farta, gordurosa e cheia de carboidrato.
- Você planeja uma tarde de domingo no Mercado Central. Ele fecha às 13h aos domingos e feriados.
Leia o guia de Minas Gerais para situar essas paradas num mapa.
Perguntas
- O que é comida mineira?
- É a comida caseira de Minas Gerais: feijão, farinha de mandioca, porco, linguiça, verduras e queijo, muitas vezes feita no fogão a lenha. Nasceu no ciclo do ouro do século 18, da mistura de portugueses, africanos, povos indígenas e tropeiros paulistas.
- O que comer em Minas Gerais?
- Comece por tutu de feijão, feijão tropeiro, frango com quiabo, pão de queijo, torresmo e doce de leite. O Mercado Central de Belo Horizonte vende quase tudo isso num lugar só.
- Qual é o horário do Mercado Central?
- De segunda a sábado das 8h às 18h, e aos domingos e feriados das 8h às 13h. Fica na Av. Augusto de Lima 744, no Centro de Belo Horizonte.
- O queijo minas é feito com leite cru?
- O queijo minas artesanal, sim: é feito com leite cru e um fermento natural chamado pingo. Para vender fora de Minas Gerais, o produtor precisa do Selo Arte, além do registro no IMA, o órgão estadual.
- Dá para levar queijo de Minas para casa?
- Dentro do Brasil, sim, de preferência queijo com Selo Arte, bem embalado. Para outro país, as regras de entrada de queijo de leite cru variam muito; confira a aduana do seu país antes de comprar.
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